Sobreviver é preciso. A arte no Brasil e o caminho dos conteúdos digitais

Fechadas, vazias, mofando. É assim que se encontram grande parte das galerias de arte do Brasil. Às moscas.

Os chamados mini museus, estão sofrendo com a crise como nenhum outro setor da economia. Elas estão vazias, sem compradores, sem venda, sem negócios, e pior, sem horizonte.

Estudos mostram que quase metade das galerias pode fechar nos próximos anos. Ao que parece, a arte aqui no Brasil é o suprassumo do supérfluo.

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Obviamente, de muitas maneiras, a arte é supérflua sim. Pelo menos em comparação com os itens e funções mais importantes que cercam a vida das famílias. No entanto, a arte é, ao mesmo tempo, absolutamente fundamental para sociedade brasileira. Arte significa pujança, força e, acima de tudo, educação. É algo essencial para o desenvolvimento social, mesmo que não pareça à primeira vista, nem a segunda.

Por esta razão, nestes momentos de crise profunda, o setor tem sido totalmente escanteado, jogado às traças. A ajuda e incentivo do governo, que sempre foram mínimos, praticamente desapareceram nos últimos anos. Não existe nada que ajude o setor, por isso ele está desaparecendo, simples assim.

Mas, o que fazer? Não existe alternativa, o que resta para os donos é esperar até que este tsunami econômico passe de uma vez por todas. Conversando com especialistas e proprietários de galerias de arte, percebe-se não há muita esperança no curto prazo. Segundo Bernardo Luna, dono de uma galeria de arte e de uma agencia de branding, o mercado só continua por uma questão de amor ao ofício. Ele diz: “Estou profissionalmente focado em outros negócios, não dá pra viver de arte no Brasil. Sempre foi assim, mas agora é pagar para trabalhar mesmo. Muitos estão fechando as portas e desistindo. Este seria o meu caso se não tivesse outra fonte importante de receita”.

O problema, mais do que momentâneo, é estrutural. O Brasil não é um país que consome arte e isso é a raiz da situação pela qual passa o setor. Para Himalaia Utrecht, diretora de um importante espaço cultural em São Paulo, o problema central é a falta de cultura. Segundo ela mais de 90% das exposições do país dão prejuízo e não atingem a meta de público estabelecida previamente. Estudos e pesquisas da agencia de conteudo WP/N, mostram que de fato não existe muito perspectiva para o setor, mas faz um alerta: “arte, exposições e galerias estão intimamente ligadas, mas no Brasil o consumo de arte, pela falta de poder aquisitivo ocorre de outras maneiras, ele é mais dinâmico, mais na rua, mais ligado a movimentos culturais e sociais”. Talvez a saída para o setor seja ele se reinventar e isso também vale para as galerias de arte. É isso ou nada, literalmente. A arte no Brasil está em constante blur.

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